Bebedouros públicos.

Ativista ambiental israelense Itay Tayass-Zamir dispensa garrafas plásticas e apresenta o bebedouro público do novo milênio, com design atraente e promessa de sustentabilidadeBebedouro

Daniela Kresch – Especial para O Globo – TEL AVIV – Há quatro anos, o advogado e ativista ambiental Itay Tayass-Zamir, decidiu fazer jogging nas ruas de Tel Aviv com seu filho de colo. Saiu empurrando o menino dentro do carrinho de bebê e após alguns quarteirões, descobriu que tinha esquecido de levar água para beber. Depois de buscar em vão por um bebedouro público, Itay concluiu que alguma coisa estava errada numa cidade onde, por conscientização ou por falta de vagas para estacionamento, milhares de pessoas andam de bicicleta ou a pé diariamente. – Não consegui encontrar um bebedouro público sequer no meu caminho – conta Itay, hoje com 36 anos. – Fiquei impressionado. Como me importo com o meio ambiente, comprar uma garrafinha plástica com água não era uma opção. Naquele momento, pensei que algo deveria ser feito. Deve haver alguma forma mais sustentável de beber água em locais públicos. A frustração do advogado acabou se traduzindo numa iniciativa urbana inovadora para suprir a população das cidades com água potável e gelada: a primeira máquina de venda de água desenhada especificamente para ambientes públicos urbanos, criada por sua empresa empresa Woosh Water Systems. Saem de cena as conhecidas fontes metálicas que causam nojo em muita gente e, em seu lugar, entra a versão moderna, com design atraente e, acima de tudo, com promessa de limpeza. O motivo: a boca dos usuários não chega perto do local de onde a água sai. Nada de lavar as mãos ou dar de beber a cachorros e gatos. – O objetivo é que as pessoas percam o medo de beber água nas ruas. E mais do que isso, que abandonem as garrafinhas d’água. Somos contra o uso de copos ou garrafas plásticas, que depois são jogadas nas ruas ou se juntam ao lixo urbano – explica Itay. – O mundo está afundando em garrafas plásticas. São 200 bilhões fabricadas anualmente. Só um percentual pequeno é reciclado. O modelo da Woosh requer a colaboração das prefeituras de cidades que querem se tornar sustentáveis. Cabe às autoridades locais instalar as estações de água e decidir como o serviço será oferecido a seus cidadãos. A água pode ser consumida gratuitamente ou não. O transeunte utiliza um cartão magnético ou chip distribuídos gratuitamente – e, caso tenha que pagar, um cartão de crédito. Também há a possibilidade de inscrição pela internet ou por um aplicativo de smartphone e o uso de códigos e senhas. O preço? Muito mais em conta do que comprar uma garrafa d’água em quiosques ou supermercados: cerca de 50 centavos de dólar por litro (algo em torno de R$ 1). Em Tel Aviv, por exemplo, uma garrafa de 300ml chega a custar o equivalente a R$ 6. Pagando ou não, o cidadão só precisará esperar alguns segundos até que sua garrafa seja desinfetada pela máquina e depois recheada de água potável e gelada. Parte da patente da Woosh é justamente o sistema rápido de desinfecção das garrafas com ozônio (O3) e a limpeza e refrigeração da água. Cada estação pode servir 4 mil litros de água por dia. A empresa explica que o sistema detecta e se acopla à tubulação de água da cidade para oferecer água limpa a quem estiver nas ruas. A primeira prefeitura a se entusiasmar foi a de Tel Aviv. Em junho, o primeiro projeto piloto saiu do papel: sete bebedouros modernos Woosh foram instalados pela cidade, que oferecem água de graça a quem se inscrever no site da empresa. O objetivo é chegar a 100 em poucos meses. Já há negociações também com escolas, clubes e universidades. Em abril, o sistema foi apresentado na sede das Nações Unidas, em Nova York. Depois do piloto em Tel Aviv, Itay tem muitos planos. Ele afirma ter começado negociações com diversas grandes cidades pelo mundo, em países como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e até mesmo o Brasil. A primeira cidade que se mostrou interessada foi Belo Horizonte. Mas o empreendedor está de olho nos grandes eventos esportivos dos próximos anos. Espera que estações de água Woosh sejam espalhadas pela Vila Olímpica das Olimpíadas do Rio, em 2016. Por enquanto, o projeto piloto em Tel Aviv está sendo aplaudido pelos transeuntes, mas também enfrenta algumas críticas. Alguns cidadãos reclamam que essa inscrição no site para poder consumir a água do bebedor é complicada e viola a privacidade do consumidor. Isso porque o site requer telefone e outras informações pessoais. Outros reclamam que é impossível beber água se o transeunte não tiver uma garrafa -descartável ou não – com ele. E que a altura da máquina impossibilita seu uso por crianças ou cadeirantes. Por sua página no Facebook, os empreendedores prometeram levar as reclamações em conta e encontrar soluções criativas para que as maquininhas Woosh – e a água que sai delas – caiam no gosto do povo.

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